
Do Turismo de Viver
TEXTO: Paulo de Tarso Barreto Alves de Sousa
Nota Inicial
31.03.2009
Presente do meu pai embrulhado em silêncio*. Assim que ganhei, tive ganas de escrever. Não tenho consciência do que cairá nestas páginas, como pingos de chuva na calçada quente, tomada de flores brancas de jasmim. Não farei planos. Apenas esperarei a chuva fina e suas promessas de vida!
Embarque:
Viajar há muito deixou de ser, para mim, um evento externo, turístico.Viver, em si, fora de si, já é parte do turismo de viver, estar, chegar a uma conclusão, partir de um principio, levar alguém ao delírio, mergulhar no silêncio, escalar palavras e sentimentos elevados, descer às cavernas do sonho, tocar as estalactites do temor, passear, na imaginação, pelo futuro, fazer um tour pelas ruelas da nostalgia...esse tipo de turismo pratico o tempo todo. Já as excursões ao coração do outro, aos parques e reservas de sua alma, aí é outra estória. Ou seria parte do mesmo pacote turístico? As malas nunca ficam prontas nem jamais serão de fato desfeitas. Viver é viajar. Sair de casa é desvendar mistérios simples, que os olhos do cotidiano camuflam em fazeres e afazeres, dizeres e calares, agires e amares.
* Ganhei, do meu amado pai, um caderno artesanal para escrever. Na capa, um postal colado exibe a seguinte referência: ‘O. Le Blanc. Valparaiso de Noche II. Derechos reservados. Veloposters.cl’. Fiquei na casa dos meus pais por dois dias. No segundo, as palavras tomaram de assalto o papel.
(Continuação do texto)
A Terra é um pequeno hotel, lotado, confuso, de alta rotatividade, novinho em folha e robusto como a sabedoria dos mestres e marujos do mar da vida. Somos hóspedes e zelosos (?) funcionários,turistas e atendentes, servindo e sendo servidos todas as manhãs, aprendendo a hospedar, dentro de nós mesmos, os piores e os melhores sonhos, sentimentos e idéias de que somos capazes, juntos e em solitário.
Viajar não é buscar, nos lugares, o nosso lugar, a nossa cidade natal, o nosso pequeno e esquisito mundo, como se fora um espelho. O ideal é tentar ver o lugar como ele é, com o ar que ali se respira, a prosa que ali se desenrola, o cheiro de pão quente que cedo enebria aqueles ares matinais. Mesmo que o resultado seja uma caricatura, pelo menos não será a nossa, rota e obtusa, mas algo entre a essência do sítio e o sonho do viajante. Quanto menos desejos e expectativas, melhor. De preferência, vale a penas permitir que crianças, de qualquer idade, nos mostrem os caminhos e os bastidores, a feira, o mercado, o rio, o mar, a dança do caminhar pelas ruas, a história, o susto urbano da vida explodindo em cores e matizes.
É preciso viajar todos os minutos do ano, para nos sabermos passageiros da eternidade, transeuntes da aventura humana no interminável caminho da História.
Viajar não é buscar, nos lugares, o nosso lugar, a nossa cidade natal, o nosso pequeno e esquisito mundo, como se fora um espelho. O ideal é tentar ver o lugar como ele é, com o ar que ali se respira, a prosa que ali se desenrola, o cheiro de pão quente que cedo enebria aqueles ares matinais. Mesmo que o resultado seja uma caricatura, pelo menos não será a nossa, rota e obtusa, mas algo entre a essência do sítio e o sonho do viajante. Quanto menos desejos e expectativas, melhor. De preferência, vale a penas permitir que crianças, de qualquer idade, nos mostrem os caminhos e os bastidores, a feira, o mercado, o rio, o mar, a dança do caminhar pelas ruas, a história, o susto urbano da vida explodindo em cores e matizes.
É preciso viajar todos os minutos do ano, para nos sabermos passageiros da eternidade, transeuntes da aventura humana no interminável caminho da História.
E o mapa estará sempre perto, na palma da mão.
Edifício Itajahy, apto. 16, Graça, Salvador, Bahia, 31 de Março de 2009.
Paulo de Tarso Barreto Alves de Sousa
Olaá!
ResponderExcluirA sombra da mangueira é pura magia, acolhimento.
que o mundo dos blogs seja inundado por essa paz!
abraço,
Ana
Olaá!
ResponderExcluirSeja bem vinda! Já não era sem tempo! Obrigado pelo incentivo, viu? O seu retorno é o primeiro. Você captou bem o acolhimento. E também a paz e a magia. Eu só tinha noção do acolhimento. Estou feliz com esta praça virtual cheia de gente e de qualidades!
Quer uma bolacha Maria? Um café? Tá cedo...!
Apareça, viu?
Deus lhe faça feliz (copiando Tia Nilza)!
Paulo
Descobri seu blog, através da Ana. Ótima surpresa !
ResponderExcluirCom certeza vou gostar de tudo que vc postar. Perfil interessante !
Não nega a raça : cratense, filho de Dr. Zé Newton e Dona Rute ... Prazer imenso !
Obrigado, Socorro! Fico feliz com a sua visita! Sei de você por Ana e pelo evento recente do Cariricaturas! Te vejo logo, logo, no seu blog!
ResponderExcluirUm abaço. A honra é minha! Saudações de poeta!